segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Artigo: Um ano e “pico” depois...

*Senador Ruben Figueiró
 
Um ano e muitos dias depois da promessa do governo federal de que daria uma solução “rápida” para o conflito da Gleba Buriti, situada entre os Municípios de Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti, temos NADA como resposta. A falta de sinceridade de algumas de nossas autoridades causa verdadeira indignação. Não há como tributar credibilidade àqueles que, teoricamente, teriam que ser zelosos com a palavra empenhada, até para que não sejam mais tarde acusados de serem os verdadeiros fomentadores de uma tragédia anunciada.

Em maio do ano passado, à guiza de cumprimento de decisão judicial, ocorreram fatos que enlutaram famílias e propriedades legítimas foram invadidas e saqueadas com prejuízos irrecuperáveis para os seus titulares.

Ministros de Estado estiveram em Campo Grande em junho seguinte, engalanados com mandatos plenipotenciários outorgados pela senhora presidente com o fito de apaziguarem os ânimos conflitados e garantiram, com rompante de voz e de pé juntos, que em 45 dias ofereceriam uma solução conciliadora. Tinham calibres e planos para tanto.

Passaram-se dias, muitos sóis iluminaram esperanças, muitas noites assombradas tornaram-se mal dormidas atucanando a paciência de índios e não-índios.

O governo, numa autêntica ação de ganhar tempo e empurrar com a barriga, acenava com uma proposta e logo a seguir a dispersava com o vento da perfídia.

Tive oportunidade, da tribuna do Senado, de afirmar: Decorrido mais de um ano da promessa, a situação é a seguinte: os indígenas, percebendo o vácuo de autoridade, avançaram sobre mais de 12 mil hectares, expulsaram proprietários e seus empregados, roubaram centenas de animais, destruíram casas, queimaram máquinas, enfim, impuseram à região a "lei do mais forte”, tendo o Governo Federal assistido a tudo sem nada fazer ou dizer.

Desde meados do ano passado, produtores rurais de 31 fazendas  da região tiveram suas terras invadidas. A Funai insulflava os conflitos alegando ser legítima a ampliação dos limites da Terra Indígena Buriti de 2.090 hectares para mais de 17.000 hectares. Ocorre que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região julgou improcedente o pedido da Funai, declarando ilegal a ampliação.
          Devo esclarecer que tais terras, antes inabitadas por humanos, foram adquiridas da então província de Mato Grosso em 1848, a Vicente Antônio de Brito, que no curso dos anos foram transferidas a seus descendentes e outros. Só depois, em 1928, por gestões do Marechal Rondon, o Serviço de Proteção aos Índios (SPI) adquiriu de alguns proprietários a área de 2.090 hectares onde estabeleceu as famílias de índios terenas.

Agora, aguardam-se novos fatos. Quem sabe com a proximidade das eleições? Só que aí ficará a sensação de que o Governo age demagogicamente, só pensando em tirar proveito eleitoral de um drama que se arrasta há muitos anos à base de falsas promessas.

É lamentável. Não é possível que o Governo procrastine por mais tempo uma solução equânime, que atenda os índios, mas que também respeite os direitos inalienáveis de quem conquistou essa terra com seu trabalho e desejam, sinceramente, que os seus direitos não sejam pisoteados com a omissão das autoridades da República.


*Ruben Figueiró é senador e presidente de honra do PSDB-MS  

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Artigo: Luta que não desfalece


*Ruben Figueiró

             Neste período em que me encontro no Senado da República, muitas têm sido as postulações de interesse público nas mais diferentes áreas em que deve estar presente a missão do Legislativo. Na área social, econômica, de regulação das atividades administrativas, nos reclamos para reformas estruturais no campo político-partidário, para reforma tributária e previdenciária, assegurando os princípios básicos do sistema federativo. Encontro-me com as vistas atentas e o espírito alerta para as mais cálidas dessas reivindicações.

            Permito-me abordar nestas linhas uma delas, que considero de oportunidade. Transita na Câmara dos Deputados desde 2006, há, portanto, oito anos, a Proposta de Emenda Constitucional 555, cujo escopo é o de eliminar uma das excrescências implantadas em nossa Carta Magna após a sua histórica proclamação em 1988.

            Trata-se, e sua origem surgiu e encastelou-se na Constituição Federal no governo Lula, da incidência de 11% sobre os proventos de inativos, aposentados e pensionistas, com desconto em folha, isto para aqueles que percebem o valor – creio hoje – ao redor de R$ 4,5 mil. É de pasmar porque sobre eles já há o imposto de renda que chega até 27,5% conforme o patamar de seus proventos. Taxação absurda, discriminatória, baseada no risível argumento que os recursos dela advindos amenizariam ou anulariam o déficit crônico na Previdência Social.

            Esqueceu-se o então presidente, ou o fez de maneira premeditada – o que é pior – que os aposentados ao longo de uma vida produtiva pelo trabalho contribuíram para a Previdência, certos de que lhes seria assegurado, nos seus momentos de “otium cum dignitate”, condições financeiras para gozar uma terceira idade tranquila.

            O fato impositivo, desumano, está aí na lei, sem “choro nem vela”. É uma flagrante bitributação. O Estado recolhe dois tributos para um só efeito. A desordem na Administração Federal tem levado os aposentados a pagar o pato. Se há desequilíbrio nas contas da previdência, o governo tem instrumentos legais para resolvê-lo, não os usa porque não possui força da intenção e julga que essa missão tem de recair justamente sobre o lado mais fraco, que obviamente não tinha como reagir: os aposentados. Mas a reação acabou surgindo.

            A PEC 555/2006 encontra-se na Presidência da Câmara dos Deputados aguardando pauta para ser votada em Plenário, mas lá está empacada numa das gavetas, acredito que por pressão do Palácio do Planalto. Os aposentados jamais desanimarão em sua luta pela PEC 555. Têm sempre em mente o adágio: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.

Solidário, juntei-me ao trabalho das Federações e Sindicatos de aposentados de todo o Brasil. Usei a tribuna do Senado, fiz gestões com lideranças partidárias, mas confesso: a insensibilidade dos que detém o poder tem sido mais presente.

É lamentável. Guardo, porém, uma esperança de que o novo rumo para a Administração do País já é previsto no horizonte e a força cívica do aposentado e de suas famílias se fará presente. Será instrumento dele.

*Ruben Figueiró é senador e presidente de honra do PSDB-MS

sábado, 19 de julho de 2014

Artigo: Coisas boas e coisas novas

* Ruben Figueiró

 Certa vez ao analisar o governo Lula, o qual pouca diferença faz do governo Dilma, o senador Tasso Jereissati com sua longa experiência pelo transito frequente nas avenidas do poder, declarou, verbis: “O governo Lula é um governo de coisas boas e coisas novas. O problema é que as boas não são novas e as novas não são boas”.

Tinha o senador razão e elas cabem como uma luva quando se analisa o governo Dilma. As boas advindas do governo FHC, delas ela também tenha aproveitado e as tidas como novas, hoje esmaecidas pelo tempo, estão tisnadas pela corrupção.

No atual governo da Sra. Presidente não há o que tirar nem por, tanto quanto as coisas novas e as tidas como boas tendem a perder valor qualitativo. A inflação, antes eliminada pelo Plano Real de FHC e diligentemente contida pelo seu imediato sucessor, agora ultrapassa (já ultrapassou) a meta definida pelo Banco Central; o chamado superávit primário mal respira; os PACs (plano de aceleramento do crescimento) I ,II e o imaturo III, de frágil paternidade eleitoral, estão como que “ empacados”... A Copa, fruto engenhoso e caríssimo do lulopetismo para ludibriar a fervorosa vocação do brasileiro pelo hexacampeonato, é de recente e triste quão vergonhosa realidade; o princípio federativo, consagrado pela Carta Magna de 88 foi engolfado pela boca assanhada e pantagruélica do governo federal lançando na poça da inadimplência Estados e Municípios. É só lembrar do recente desfalque em suas finanças em razão da propagação bondosa “com chapéu alheio”  do IPI para engordar ainda mais as burras das multinacionais montadoras de automóveis.

E por ai vai. O rosário é longo e bem rezado pelo governo do PT o qual jamais alcançara o purgatório da clemência dos brasileiros, já conscientes que perdeu o céu dos aplausos.

É fato recente. Em programa de TV por assinatura foram entrevistados presidenciáveis. De inicio o senador Aécio Neves e na ultima sexta-feira, 11, a presidente Dilma. Quem assistiu as duas, certamente acompanhará a minha observação. A experiente e sagaz entrevistadora faz contundentes indagações a Aécio e ele com a sensibilidade mineira, ofertou respostas consistentes de quem não tem receio de seu passado como cidadão probo e gestor público para exercer um governo de mudanças.

Já com a sra. Presidente, a entrevistadora demostrou certo receio para perguntas (naturalmente precavida de um possível rompante genioso  da entrevistada) e foi de uma delicadeza desnaturadora de sua perspicácia jornalística, inclusive ao permitir que a entrevistada alongasse nas respostas, fugindo do fulcro das perguntas, uma elastividade típica de autopromoção e “encheção de linguiça”.

Para quem desejava ouvir perguntas e respostas altivas e esclarecedoras, o segundo da série foi enfastioso. Não foi coisa nova, nem boa.

*Ruben Figueiró é senador e presidente de honra do PSDB-MS

 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Artigo: Pompilho, cientista político

*Ruben Figueiró

Ele foi adentrando na sala de reuniões com aquele seu jeitão espalhafatoso de seus bons tempos na domação de pingos e burros chucros. Parodiando o capitão Rodrigo Cambará (personagem em o Tempo e o Vento de Erico Verissimo) foi logo alardeando: “Buenas muchachos! Dos que são do contra e magros eu dou de prancha e aos gordos dou de talho!”, levantando o rebenque que trazia às mãos, tão companheiro quando seu cusco “ brioso”. E soltou uma gargalhada galhofeira. Era o velho Pompilho dos Santos Reis, o qual aforante eu, poucos o conheciam, sendo então recebido com olhares atônitos pelos demais presentes.
Considerando-o abelhudo e atrevido de início, logo o ambiente desanuviou-se pela simpatia e espontaneidade do taura gaúcho. Tomando da palavra, apresentou-se: “sou gaúcho de Tupanciretã, dos pampas do Rio Grande, gaudério e torado no grosso, não tive escola, na realidade sou ‘guasca’, uma cruza de estancieiro gaúcho com uma índia kaigangue, buenacho, curtido pelas peleias entre chimangos e maragatos – fui um destes”.
“Encagaçado pelo medo de morrer (os chimangos ameaçaram-me cortar a cabeça, como era corrente para os derrotados) e assim, fugi para as bandas de Mato Grosso, quereciando-me nos campos sem fim da Vacaria (entre Rios, hoje Rio Brilhante), nas veredas do rio Santa Maria (em Ponta Porã)  e depois nos campos serrotes das nascentes do rio Brilhante, na região de Maracaju. O ar daqui me fez feliz, são sessenta anos e pico ou mais neste pagos benditos. Considero-me  ‘matucho’, entonces: meio gaúcho, meio sul-mato-grossense – egaletê, chiru velho!”
“Apresentei-me bugrada! Agora, falo de politica, ‘con permiso’ de vocês! Gosto dela tanto quando das lembranças das chinocas de antigas andanças boêmias, como do chimarrão, este amigo constante nos momentos de prazer e de nostalgia.”
E lá se foi o Pompilho campo afora em sua análise de cronista calejado pelas refregas em vitórias e derrotas de antanho.
“A temporada das carreiradas eleitorais começaram desde domingo. Desde o Rio Grande, me apego à elas, seja nas canchas de duas quadras e meia para governo do Estado, ou para presidência  nas de tiro mais longo para os parelheiros de folego largo.”
Para mim, disse Pompilho, “da potrancada bem fornida  e de pelo fino e liso, três se destacam em cada cancha. Na de tiro longo, estão no partidor, mascando freio, indóceis, o da presidente, do Aécio, e do Eduardo. Pareo duro para os enfrenados. Ganhará o de melhor ‘guaino’ creio, porque mais robusto nas ideias, firmeza de compromissos comprovados pelo passado sempre exitoso na gestão  do que lhe compete dirigir, outro senão o Aécio terá ampla vantagem no corpo a corpo com os demais, mais músculo tem mais folego.”
“Na cancha de duas quadras, nada obstante as reconhecidas qualidades, tão naturais nos outros dois ‘guainos’, é nítido o perfil do Reinaldo, porque descompromissado com as ‘reinações’ do presente, pois representa a pureza do desejo de mudanças, de um tempo novo que se antepõe ao que aí está ‘já pesteado’. É o que se ouve desde o Apa, no oeste ao Aporé, no leste; do Paranazão, no sul ao Piquiri/Correntes ao norte de nosso Estado!”
Continuou o Pompilho, “mas bah, tchê! Te cala chirú velho! Perdoem-me, nesta vida já peleei, carchuei por veredas, serras e campos, carreguei tranqueiras, corquilhei à beira de olhos-da-água como sapo, enfrentei barras macanudas, como estas que nosso País está enfrentando, dei rédeas ao pingo rosilho, gastei mesmo com a guaica vazia, vi assombração na cruz solita dos ermos, usei laço curto para chinchar touro bagual, venci  ventos araganos e com esta ‘otoridade’ de couro curtido, posso dizer-lhes: apontem suas garruchas (o voto) para impedir que o crinudo gambá não engorde mais no galinheiro da República.”
Depois dessa exortação, o Pompilho, convidou-nos para um “amargo” em sua querência, declamou uma trova que se recorda lá do Rio Grande, para reflexão nossa:
“Oh! Governo esculhanbado
Foi logo o que pensei
Quando do susto sarei
No rancho do meu amigo Saracura,  
A coisa está cabeluda... 
Já nem bombacha se muda.
A crise é tão macanuda.
Só com o Aécio e Reinaldo terá cura.”
Saudando com o seu largo sombreiro, com rebenque em punho, o “cusco” companheiro, lá se foi o Pompilho, “o santo guasca.”

*Ruben Figueiró é senador e presidente de honra do PSDB/MS

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Artigo: Mudar, é preciso


*Ruben Figueiró

            Creio ser opinião unânime dos que compareceram (e foram milhares) à Convenção Regional do PSDB que homologou as candidaturas de Reinaldo Azambuja e professora Rose Modesto, ao governo do Estado; de Antonio João Hugo Rodrigues ao Senado da República; dos candidatos à Câmara Federal e Assembleia Legislativa, numa aliança multipartidária com o único objetivo de mudar o tom e a maneira de governar e fazer política no país. Foi uma festa de intensa empolgação, conjugação de objetivos nobres, repulsa ao que aí está que subverte o sentimento da cidadania, vibrantemente manifestada durante as quase cinco horas que durou o evento, ficando evidente que o povo deseja a renovação no quadro de dirigentes, afastamento ao fim e ao cabo da atual predominância da pantagruélica fome da dobradinha PT/PMDB por posições na direção da coisa pública.

            Do que na Convenção percebi, duas ideias cintilavam, palpitavam nos corações, brotavam tonitroantes nas vozes: o Brasil conquistará a Copa do Mundo e, nas eleições de outubro, mudará os rumos do país com a vitória das oposições.

            O sentimento é um só: nos estádios, nos lares, nos ambientes de trabalho, nas escolas e universidades há um clamor que irmana todos os brasileiros, numa só voz e a um só tempo, alavancando a nossa seleção para o hexacampeonato e motivando os cidadãos de bem para mudar o jeito de governar o Brasil.

            Não são diferentes as razões que os brasileiros agasalham de que chegou o momento de depositar sua confiança de que é possível transformar a realidade perversa onde vicejam plantas daninhas e venenosas, corporificadas pela corrupção, mensalões oficiais, compadrio, o companheirismo viçoso e deletério, a propina degradante, a venalidade espúria da infidelidade conspícua, o acinte vergonhoso à palavra empenhada, o vitupério aos compromissos – enfim: o sem-vergonhismo da expressão fácil e enganadora que manipula os incautos.

            Por isso, numa virada democrática a Nação deseja restabelecer a dignidade, o orgulho de ser honesto e a grandeza de cultivar valores e princípios.

            Está chegando a hora de eliminar os Catões de fancaria!

            Esta foi a razão que levaram milhares de homens e mulheres, jovens de ideais de todas as idades, ao PSDB na última sexta-feira, estuário de ideais democráticos, união de vontades para construir um novo rumo.

            A democracia precisa ser fortificada. Para tanto, só há um caminho: as urnas! Desejo que meus conterrâneos (as) ergam suas vozes num brado cívico, mais altissonante que os pulmões permitirem, proclamando que o caminho para um novo Brasil depende da consciência cívica de cada um em outubro próximo.

*Ruben Figueiró é senador pelo PSDB-MS

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Artigo: Prestando contas

Ruben Figueiró*

Encaro como gesto natural as indagações que me tem sido feitas sobre a essência do Senado da Republica, suas atividades e a missão de seus integrantes, os senadores. Indagá-las é um direito da cidadania. Dentre os indagadores há os que interrogam porque de boa-fé querem se abeberar das águas límpidas que dão vigor ao Poder Legislativo.

Outros, porém, tem a intenção de espalhar o lamaçal denegridor da imagem de uma instituição de respeito centenário, muito antes de obter esclarecimentos de sua finalidade em um Estado Democrático. A estes, como aqueles, me curvo humildemente para lhes oferecer o meu depoimento sobre o que é o Senado, um dos pilares de nosso sistema institucional republicano.

O que é, afinal, o Senado?

Respondo: é um dos órgãos do Congresso Nacional que exerce as funções do Poder Legislativo ao lado da Câmara dos Deputados, com atribuições especificas definidas pela Carta Magna. Representa a Federação, ou seja, a união dos 27 estados e o Distrito Federal. É composto por 81 senadores, número que confere a cada unidade federativa três titulares.

Ao Senado compete privativamente 15 responsabilidades e aqui, para não ser extenso, menciono três das mais significativas: processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da Republica nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros do Poder Executivo, membros dos Tribunais Superiores, Procurador-Geral da Republica, titulares dos Conselhos Nacionais da Justiça e do Ministério Publico; aprovar ou não a indicação para ministros das cortes Judiciárias, Tribunal de Contas da União, Procurador-Geral da Republica, embaixadores e outros altos cargos definidos por lei federal; e autorizar empréstimos junto a instituições financeiras nacionais e internacionais.

Nesse complexo de atribuições, há a ação legislativa propriamente dita dos senadores, no que tange oferecer e analisar proposições, votá-las, aprovando-as ou não, opinar sobre assuntos de interesse de sua representação da tribuna, exercer competência de seu direito de voz.

De minha parte, tenho procurado cumpri-las com exação e espírito público. Essa missão inicia-se ao redor de oito horas da manhã e se estende invariavelmente até às dezenove horas, podendo estender-se noite adentro em razão do período da Ordem do Dia em plenário, quando referta pelos debates, ou quando das sessões do Congresso Nacional (reunião conjunta do Senado e da Câmara dos Deputados) para votação de vetos presidenciais ou das leis orçamentárias.

É missão do senador integrar como membro as comissões temáticas para as quais for designado pela sua respectiva liderança partidária. A mim coube a atribuição de representar o PSDB na condição de titular a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo e, como suplente, a Comissão de Infraestrutura e as Comissões Mistas de Orçamento, de Atualização da Legislação Federal, e a extraordinária que examina indícios de irregularidades na Petrobras (CPMI da Petrobras).

Todas essas comissões, permanentes ou temporárias, tem reuniões todas as semanas geralmente no período matutino e nelas realmente pulsa o coração da atividade senatorial na apreciação de projetos e realização de audiências publicas.

Neste período que exerço o mandato dei ênfase a algumas reivindicações sensíveis aos meus conterrâneos tais como a questão da posse e domínio das terras, hoje conflagradas, entre indígenas e proprietários rurais – questão que se eterniza pela leniência e irresponsabilidade funcional do governo federal; a imperiosa necessidade de implantação de uma unidade de usina separadora de gás (GLP), amônia e ureia ao longo de nosso território e por onde cruza o gasoduto Bolívia-Brasil, para agregar economia ao consumo de nossa população; a solução tão almejada da recuperação do leito do rio Taquari e das áreas pantaneiras que se transformaram no que, tristemente, se conhece como "deserto aquático", o maior desastre ecológico do mundo.

Ademais, ofereci para análise de meus pares inúmeros projetos e emendas a atual texto da Constituição, todos frutos não só de minha iniciativa mas sobretudo pela valiosa contribuição que tenho recebido de meus compatriotas de todos os recantos do país, que entendo merecem a analise da mais Alta Casa do Parlamento Brasileiro.

Tenho aqui a vista um deles, fruto da sugestão de uma mãe preocupada pelos inúmeros casos correntes de intoxicação de crianças por ingestão acidental de medicamentos, saneantes e cosméticos que crianças, em sua natural curiosidade infantil, são vitimas em razão da propaganda atraente impressa na embalagem do produto.

Meu projeto é para proibi-la, modificando a lei 6.360 de 1976: "É proibido o uso de símbolo, figura, desenho ou recurso gráfico como elemento de apelo próprio ao universo infantil na rotulagem e na propaganda de que se trata esta lei." Projeto de lei do Senado nº 145, de 2014.

Estes são alguns aspectos de minha missão. Se Deus quiser procurarei honrá-la da melhor maneira possível até seu termino em 31 de janeiro de 2015!

*Ruben Figueiró é senador pelo PSDB-MS

sexta-feira, 20 de junho de 2014

De outros tempos…

*Ruben Figueiró
ruben-figueiro-foto-Agencia-Senado-300x204Recuperando-me de um estado gripal, resultado das estafantes atividades político-parlamentares a que me impus e por não ouvir as advertências da Cléa, minha esposa, e reiteradas recomendações de meu médico e amigo, Dr. Alfredo Arruda, de que “preservar a saúde na minha idade é alongar o prazer de viver”, refugiei-me na leitura de expressões e de um texto que anotei num caderninho – e deles extraí alguns sérios e outro hilário, quão satânico.
Textos cujo potencial intrínseco poderá servir como um fanal cujas luzes originais do atrito entre experiências vividas neste mundo que se não é um cão raivoso, pouco lhe falta. Deles podem surgir considerações capazes de produzir reflexões para as decisões que o eleitor brasileiro haverá civicamente de assumir em outubro próximo.
Permito-me aqui destacar: I) De Joseph de Maistre: “Toda Nação tem o governo que merece”. II) De Nilo Coelho: “A verdade do governo não pode estar distante da realidade da população brasileira”. III) De Confúcio: “Há bom governo quando o príncipe é príncipe e o ministro é ministro; quando o pai é pai e o filho é filho”. IV) De Alfred de Vigny: “O melhor governo é o que se sente menos e se paga mais barato”. V) De Djalma Marinho, que foi meu colega na Câmara dos Deputados, de saudosa memória: “A lealdade tem sua hierarquia e a minha lealdade é, acima de tudo, com a minha consciência e a instituição a que sirvo. Não sou um contestador, mas desejo ser um construtor. Se não posso – como disse o Juiz Simpson – construir a catedral, tenho muita honra em carregar o tijolo”.
São expressões que revelam sabedoria política, de como governantes devem exercer suas altas missões, de respeito à hierarquia, de dignidade e honradez no exercício do mandato popular.
Agora menciono a hilária que encerra uma fina ironia que o eleitor deve ter sempre em mente no momento da escolha de seu candidato. Veio ela do âmago de uma piada mineira, retirada do livro “Travessia”, do consagrado escritor e político mineiro, Ronaldo Costa Couto, companheiro de JK:
“A anedota é sobre o testemunho de uma velhinha conhecida como fofoqueira, língua solta, afiada, atrevida, demolidora. No Júri, é interrogada pelo Promotor:
– A senhora me conhece, dona Maricotinha?
– Claro, uai! Conheço-o muito bem, desde menino. Você nunca prestou. É incompetente, complexado, mentiroso, sem vergonha, traiu a Eponina, tem gonorreia crônica, mau hálito, título protestado. É tão burro que me faz uma pergunta boba como esta!
Alarmado, o Promotor trata de desviar o assunto:
– E o Advogado de Defesa, a senhora conhece?

– O Bilustrico? Conheço-o desde bebê, cuidava dele para a comadre Veridiana; ganancioso, preguiçoso, porco, pinguço, covarde, despreparado, mau filho, mau caráter, safado, tem mulher lá no puteiro. Não vale cem réis de mel coado!

O velho Juiz chama o Promotor e o Advogado de Defesa e avisa baixinho:
– Prendo na hora quem perguntar se ela me conhece!”

As eleições estão se aproximando, os candidatos se apresentam, o bem e o mal feitos estão claros para serem aferidos. Governantes e postulantes, o clamor de indignação e protestos ganham as ruas. É momento, pois, de se refletir o que registraram aqueles de outros tempos.


*Ruben Figueiró é senador pelo PSDB-MS